Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Sexo: reprodução ou prazer?

Existe racionalidade na homossexualidade animal? Biological Exuberance - Animal Homosexuality and Natural Diversity

  fev 19, 2015     17:30
Há uma imensa variedade de trabalhos que tratam sobre o homossexualismo no reino animal, entre eles destaca-se o livro do biólogo americano Bruce Bagemihl, lançado no final do século passado (Biological Exuberance - Animal Homosexuality and Natural Diversity - Bruce Bagemihl, St. Martin's Press, 1999), que revela em detalhes a vasta diversidade de comportamentos sexuais entre os animais. Seu trabalho não tem a pretensão de justificar o homossexualismo em humanos demostrando que isso ocorre entre todos os animais, mesmo porque os humanos não acham aceitável o canibalismo nem o incesto e estes poderão ser vistos com naturalidade entre outros animais.

Bagemihl pesquisou por uma década todas as publicações disponíveis sobre o comportamento sexual dos animais e através de entrevistas com zoólogos. Sua obra demonstra que sexo para reprodução é apenas uma versão do comportamento animal. Analisou cerca de 450 espécies, principalmente de mamíferos e aves, todas praticantes em maior ou menor grau de hábitos homossexuais e concluiu que definitivamente o homossexualismo faz parte do comportamento rotineiro de inúmeras espécies em seu ambiente natural. Ele então classificou 5 variedades de comportamento homossexual.

Na 1ª está o cortejo, que inclui as técnicas de exibição para a conquista.

Na 2ª está a afeição. Nesta estão os beijos, esfregações, carinhos e contatos que deixem os animais excitados; excluem-se os carinhos sem erotismo.

Na 3ª está a formação dos casais; em muitos casos "estáveis" e em algumas vezes essas uniões são mais duradouras do que nos pares heterossexuais.

Na 4ª vem a da criação de filhotes abandonados por outros indivíduos.

Na 5ª e última categoria está o contato sexual propriamente dito, onde ocorre a estimulação dos órgãos genitais.

Para Bagemihl, a atração homossexual é muito frequente, mas há uma imensa variação de comportamentos sexuais na natureza, portanto não se pode tirar conclusões simplistas. Por exemplo, há quem afirme que o ato de montar serve para demonstrar dominação social, mas em algumas espécies, como a das morsas, os dominantes na realidade são montados pelos dominados. Portanto, devemos nos ater aos fatos e não tentar explicar a função de cada comportamento, pois para ele, nem sempre as espécies adquirem características vantajosas para a sua sobrevivência ou evolução, como no caso dos ciclos reprodutivos dos machos e das fêmeas dos avestruzes que raramente se encontram, dificultando a fertilização ou de fêmeas de aves que, logo depois de copular, defecam e consequentemente expelem o sêmen recebido. Assim como o filicídio e o canibalismo de filhotes entre mamíferos.

Segundo Bagemihl temos que revisar os pressupostos tradicionais da ciência, como o de que não existe prazer sexual para outros animais senão para os humanos.

O fato é que por prazer ou não, o homossexualismo precisa ser discutido e talvez tenhamos até que redesenhar nossa concepção sobre as categorias de gênero e o papel do prazer sexual na evolução das espécies.

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Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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