Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Será que os cães realmente sentem amor ou seu entusiasmo é apenas uma forma evoluída de agir?

A maioria dos seres humanos amam seus cães, muitas vezes até mais do que a outros seres humanos. Mas será que o que os cães sentem se parece com o mesmo tipo de amor que sentimos, ou é algo diferente?

  abr 30, 2015     21:49
Será que os cães realmente sentem amor ou seu entusiasmo é apenas uma forma evoluída de agir?
Sabemos que não podemos saber o que os cães estão pensando, porém podemos ver as partes do cérebro que estão sendo usadas em diferentes situações, o que pode ser muito revelador. Graças ao uso de aparelhos de ressonância magnética, duas equipes de pesquisadores chegaram a uma conclusão sobre o que os cães sentem.

Um estudo feito pelo pesquisador Gregory Berns, da Universidade de Emory, de Atlanta, sobre processos comportamentais de cães. O olfato foi o estímulo selecionado para estabelecer os parâmetros de suas conclusões. Nesse estudo, ele selecionou doze cães de dez raças para cheirar aromas de pessoas estranhas e conhecidas, bem como o de outros cães, enquanto estavam deitados em um aparelho de ressonância magnética.

Primeiramente os cães tiveram que ser treinados para ficarem imóveis no durante a ressonância, pois não poderiam ser anestesiados durante o procedimento. Os cães responderam mais intensamente ao cheiro dos seres humanos familiares, até mesmo mais do que aos cheiros de cães familiares. O scaneamento revelou que a região do cérebro mais ativa para estes cheiros é a conhecida como núcleo caudado.

O caudado tem múltiplas funções. Sendo que em seres humanos ele reage a beleza visual. E é conhecido por ser intensamente ativo nas fases iniciais do amor romântico. Segundo a pesquisa, essa é a maior prova de que os cães sentem mesmo um carinho especial pelos donos.

No estudo de Attila Andics da Universidade Eotvos Lorand, de Budapeste e relatado na Current Biology, verificou-se que os cérebros dos cães respondem ao tom emocional das vozes humanas, assim como os seres humanos também fazem.

Segundo Andics, este é o primeiro estudo de neuroimagem comparativa de uma espécie não-primatas e seres humanos. E foram encontradas analogias funcionais entre o córtex auditivo do cão e o humano. E esse estudo confirma o que aqueles que vivem com caninos já haviam percebido há várias gerações. Cães se comportam como bebês quando assustados, por terem formado um vínculo, correndo para os seres humanos. Ao contrário de outros animais, como cavalos, que são mais propensos a fugir do que buscar apoio. E isso torna ainda mais interessante entender a ferramenta que ajuda na comunicação vocal bem sucedido entre duas espécies.

Outra observação ainda mais surpreendente é que a medida em que os cães têm se ligado com os seres humanos, sua tendência é a de olhar as pessoas nos olhos. Andic era parte de um estudo que tentou treinar lobos para fazer a mesma coisa. Mesmo quando os lobos foram criados por seres humanos desde filhotes que não iria iniciar o contato visual com aqueles que se preocupava com eles. Andics afirma que os únicos outros animais inclinadas a fazer contato visual com os seres humanos são os nossos parentes primatas.

"A ligação com os seres humanos é muito mais importante para os cães do que outros animais de estimação. Até agora, as varreduras do cérebro não foram estendidas para gatos, possivelmente porque todo mundo está com medo do que os resultados podem revelar".
Attila Andics
Pessoalmente morando num apartamento, só tenho cães, mas adoraria ter gatos cavalos, pássaros livres e toda sorte de lagartixas que aparecessem. Se eles me amariam não sei, mas com certeza não iriam querer o meu mal.

Saiba mais:
Ontogeny and phylogeny: both are essential to human-sensitive behaviour in the genus Canis
Monique A.R. Udell, Clive D.L. Wynne
What does it take to become 'best friends'? Evolutionary changes in canine social competence
Ádám Miklósi, József Topál
Scent of the familiar: An fMRI study of canine brain responses to familiar and unfamiliar human and dog odors
Gregory S. Bernsa, Andrew M. Brooksa, Mark Spivakb
Reward, motivation, and emotion systems associated with early-stage intense romantic love




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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