Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Sequestro de pets, não tem a ver com raça definida

O sequestro de animais de estimação está cada vez mais frequente e a sociedade pouco tem feito para combatê-lo

  jun 28, 2015     20:41
Sequestro de pets, não tem a ver com raça definida
Sabemos que a violência está generalizada e disseminada em todas as camadas da sociedade. De um lado, vemos dezenas de teorias que explicam a decadência do coletivo e do colaboradorismo. De outro, a forma natural com que a sociedade brasileira encara e convive com a violência. Não vejo nada mais doentio do que perceber essa violência e tratá-la como normal. Só porquê algo se torna comum, não tem que ser visto como normal!

O sequestro de animais tem a ver com a falta de caráter e escrúpulos do sequestrador e não com o fato do cão ter ou não uma raça definida. O sequestro é executado para a obtenção de lucro e o tutor também poderia ser extorquido caso o animal fosse sem raça definida (SRD). Algumas pessoas nesses casos, tem usado "justificativas" semelhantes às usadas em situações de estupro, responsabilizando a vítima pelo crime. O que obviamente é uma distorção absurda do problema!

Cada vez mais os animais de estimação, vem ocupando o status de membro da família. Portanto, o furto de um animal, seja ele de uma raça definida ou não, possui um valor intrínseco, que faz dele único e insubstituível. Portanto a punição para esse crime não deveria ser branda, nem tão pouco ser vista como uma simples perda de um bem material.

Além dos casos denunciados e em exposição na mídia, muitos outros tem ocorrido sem que o tutor do animal encontre respaldo da sociedade e da polícia para solucionar o caso. Portanto, na maior parte das vezes, as pessoas deixam de efetuar a queixa, o que também é um erro. Apesar das ameaças que os bandidos possam fazer, as autoridades de segurança irão te instruir sobre qual a melhor forma de agir. E com certeza quanto antes você agir, melhor!

Se o animal não possui raça definida (SRD), os criminosos, só tem como opção o pedido de resgate. Porém, nos casos de animais de raças definidas, ele tanto pode obter o resgate, como usar o animal não castrado para procriar em criadouros, geralmente ilegais ou ainda, como vende-los através de anúncios na internet ou feiras de rua e "pet shops" que aceitam animais sem pedigree, sem conhecer o canil e o trabalho do criador.

Muitos tutores são forçosamente obrigados a expor seus animais aos perigos e às doenças nas ruas, porquê geralmente tem pouco espaço em suas residências. Outras vezes, residem em condomínios, que possuem espaços excelentes, mas que os impossibilitam de usar, pois em sua ignorância, ainda associam a presença de animais a doenças. Esquecendo-se que a maior fonte de contaminação, está justamente em forçar que o animal frequente espaços públicos diariamente, em vez de determinar um espaço exclusivo dentro dos condomínios para eles.

Dicas para evitar furtos de pets:

* Tenha sempre seu animal de estimação identificado, com o telefone (+código da cidade) e microchipado. Preferencialmente, castre-o!

* Evite deixar o animal de estimação amarrado na porta de estabelecimentos comerciais como mercados, padarias e farmácias enquanto realiza compras.

* Caso esteja sozinho num veículo carro, prefira andar com o animal no banco da frente ao seu lado, com coleira, guia e cinto de segurança próprio para animais, para evitar que o animal bata o corpo contra o painel do carro em caso de acidentes. Pois caso o alvo do furto seja apenas o veículo, você terá oportunidade maior de descer com o animal. Se o cão ou gato estiver em caixa de transporte pequena ou média, ela também pode e deve ficar no banco da frente, facilitando assim a retirada do animal do carro no momento que o dono descer do automóvel. Se houverem mais pessoas no carro, o animal pode ir atrás com a outra pessoa.

* Evitar deixar o animal sozinho dentro do carro, pois ele precisa que os vidros fiquem abertos. Tornando-o um alvo fácil.

* Tenha cuidado ao escolher onde levar e deixar o seu animal. Clínicas veterinárias, hotéis de animais e pet shops também estão sendo alvos de assaltos. Verifique a segurança, quantas pessoas cuidam e dormem no estabelecimento, se tem muro alto, cercas elétricas, câmeras de segurança e vários portões antes do acesso à rua. Para idas ao banho e tosa, evite o carro do pet shop. Eles são furtados e roubados com grande frequência. Dê preferência a pet shops que possuam câmeras de segurança. Em alguns você pode inclusive acompanhar o trabalho através da internet.

* Não deixar o animal no quintal da frente da casa sem supervisão. Alguns animais desaparecem de áreas fechadas por muros e portões altos.

* Evite deixar animais sozinhos em chácaras, sítios, fazendas, casas de praia ou veraneio. Muitas vezes esses locais são invadidos para roubo e os animais também são levados ou são mortos.

* Quando frequentar parques, praças ou qualquer área pública, não perca seu animal de vista. Muitos animais afastam-se dos tutores para explorar o ambiente, e acabam sendo levados por pessoas que "acreditam" que eles tenham sido abandonados, mesmo com coleira, identificação e telefone.

Saiba mais:
SuperRepórter: quadrilhas especializadas em sequestro de cães e gatos agem em Porto Alegre
Cinco meses após roubo, família reencontra cadela de estimação no RS
Os pets na mira dos bandidos




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

Relacionados

Comentários

Este post não possui nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

 


  Respondendo ...