Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Sacrifício de animais em rituais religiosos

Em algum momento de sua história, as mais antigas religiões praticaram o sacrifício de animais e/ou de seres humanos

  mar 30, 2015     20:52
Sacrifício de animais em rituais religiosos
Há relatos de sacrifícios que precedem o surgimento da religião judaica e originados em povos primitivos ou tribos pagãs. Conforme a crença de cada religião, também variam as motivações para a prática de sacrifícios. Alguns acreditam que o sacrifício faça a aproximação do devoto com sua divindade.

Sacrifício é um termo que deriva dos radicais 'sacro' e 'oficio'. Pode-se então concluir que oficio sagrado é a prática de oferecer alimento, ou a vida de animais ou pessoas, às divindades, como forma de culto.

Religiões de matriz africana que admitem a prática do sacrifício de animais durante seus rituais: o Batuque, o Candomblé, o Omolokô, a Santeria, a Umbanda e Zulu. Essas religiões fundamentam-se na crença da troca de energias entre o fiel e o animal. Transferem suas energias negativas para o animal e em seguida o mesmo é sacrificado geralmente por um sacerdote, a quem foi dada a permissão dos Orixás para realizá-lo. Ao imolar o animal, o sacerdote não o está matando, mas entregando uma oferenda ao sagrado de forma simbólica.

Atualmente é costume utilizar-se apenas animais domésticos ou domesticados em cativeiros, como o cabrito, a cabra, a codorna, a galinha da angola, o galo ou o pato.

No candomblé, o sangue representa mais que a vida, porque possui uma energia elementar. O o objetivo do sangue e das vísceras dos animais é de produzir axé, ou seja, energia vital. O sacrifício de animais é praticado pelo Axogun ou pelo Babalorixá.

O primeiro a receber os sacrifícios é Exu, que deve receber uma galinha. Em seguida, oferta-se ao Orixá que se quer contatar um animal quadrúpede. Depois de morto e oferecido no ritual, o animal é consumido pelos devotos e seu couro pode ser utilizado para a confecção de instrumentos musicais.

Porém, em casos velados, porém frequentes, também sacrificam-se seres humanos. Na antiga religião Zulu, praticada principalmente no África do Sul, pessoas são mortas para utilizar determinadas parte de seu corpo no ritual ou como medicamento, nos chamados "homicídios Muti".

Religiões de outras matrizes que admitem a prática do sacrifício de animais durante seus rituais:
Os muçulmanos, após o período do Ramadã, também realizam o sacrifício de animai. Nesse caso, degolam um cordeiro, cabrito, camelo ou uma ovelha, cabra ou vaca. A carne destes sacrifícios é compartilhada com a família e os amigos e um terço é dada aos pobres.

O hinduísmo permite uma variedade de rituais nitidamente destoantes, por não ser uma religião organizada. Na maior parte dos lugares os Templos abrigam animais desamparados e os devotos os alimentam como parte de seu rito. Em outras regiões, geralmente mais isoladas e menos abastadas, pode-se ver animais e mesmo seres humanos ainda sendo sacrificados, apesar de proibido, principalmente nos templos dedicados à deusa Kali.

Tem-se conhecimento que um sacerdote hindu foi preso em 27 de março de 2003 por sacrificar um homem na aldeia de Parsari, distrito de Sagar, em Madhya Pradesh. Após isso, em 14 de junho de 2003 um homem tentou sacrificar sua filha no Templo de Kamakhya, porém foi impedido pelos sacerdotes e preso.

No cristianismo, o fato de Jesus haver sido considerado uma oferenda, mostra que, teologicamente, o cristianismo aceita a validade dos sacrifícios. No cristianismo e judaísmo atuais, os sacrifícios de sangue foram substituídos pela contrição, ou seja, o arrependimento sincero, a confissão oral e as orações. Porém, um grupo ortodoxo judaico, liderado pelo rabino Yehuda Glick, vem realizando rituais de sacrifício de Páscoa, em frente ao Monte do Templo, em Jerusalém, em preparação para a construção do "Terceiro Templo".

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Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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