Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

"Rompimento da Alma": os bastidores do treinamento animal para a mídia

À primeira vista pode parecer interessante e até cômico para alguns, assistir chimpanzés agindo tal qual um ser humano na mídia. Porém, o que não se vê é como esses animais são tratados nos bastidores

  abr 27, 2015     19:43
"Rompimento da Alma": os bastidores do treinamento animal para a mídia
Em um depoimento chocante, Sarah Baeckler, falou em uma coletiva organizado pelo Chimpanzé Collaboratory e pela Environmental Media Association sobre as condições de treinamento de animais usados na mídia de entretenimento, especialmente os chimpanzés.

Sarah Baeckler graduada em Comportamento de Primatas e Antropologia, mestre em Primatologia. Especializou-se em chimpanzés, com os quais ela trabalhou cinco anos em ambientes de cativeiro de jardim zoológico e de um santuário. E sua pesquisa de pós-graduação, focou-se em estudar as interações entre os chimpanzés e seus cuidadores.

Posteriormente, Sarah Baeckler trabalhou por 14 meses ou cerca de 1000 horas no treinamento de chimpanzés. Ela era voluntária no treinamento de animais atores, numa instituição chamada Amazing Animal Actors. Essa empresa é uma das cinco maiores empresas que abastecem as produções de cinema e televisão e está neste negócio há mais de 30 anos.

Muitos dos chimpanzés vistos na TV e no cinema, tem de 3 a 4 anos de idade então, ainda são crianças. Chimpanzés jovens e saudáveis são brincalhões, curiosos, energéticos e travessos, mas essas características não são interessantes quando o treinamento começa. Portanto, os chimpanzés na indústria do entretenimento têm que passar por uma "quebra do espírito ou rompimento da alma" ou seja, eles têm de aprender a não agir como chimpanzés normais.

As instruções para o treinamento são no mínimo chocantes e consistem em agredir os animais fortemente com socos, chutes e puxões de orelha, porém tentando não "machucá-los". Muitas vezes são usados instrumentos como martelo, cabos de vassoura, canos, tacos de beisebol e bastão elétrico.

Os treinadores usam a força física para levá-los a fazer o que é esperado e para garantir total atenção dos chimpanzés. Muitos chimpanzés adultos no entretenimento tiveram seus dentes arrancados com pés de cabra para evitar ferir gravemente seus treinadores por mordidas.

As instalações em que os chimpanzés são mantidos, consistem em pequenas gaiolas que são frequentemente fechados em caixas de madeira para o transporte. Cada gaiola é geralmente isolada de outros chimpanzés. Muitas vezes, eles têm que sentar-se em seus próprios excrementos por longos períodos de tempo antes de chegarem ao seu destino. Além disso, quando um chimpanzé não pode mais ser usado em entretenimento, muitas vezes eles vão ser vendidos para zoológicos desclassificados ou para instalações de pesquisa biomédica.

Segundo Sarah Baeckler, além da tortura física quando o animal não obedecia, muitas vezes ele também era agredido mesmo obedecendo e criavam-se animais extremamente traumatizados, com olhares vazios, reservados, desconfiados e inseguros. Os atos repugnantes de abuso emocional, psicológico e físico eram vistos por Baeckler, todos os dias nesse seu trabalho.

Apesar de existirem leis rigorosas o suficiente para proibir esse tipo de abuso na Califórnia, onde funciona a Amazing Animal Actors, elas são difíceis de aplicar. A maior parte destes abusos se passam por trás de portas fechadas e poucas pessoas ousam denunciar.

O abuso e a violência física são aparentemente comuns nesta indústria, e não são nem mesmo um segredo. Na verdade, são ensinados aos futuros treinadores de animais e trabalhadores do jardim zoológico. Além disso seria ingênuo supor que os chimpanzés realizariam truques complexos com um reforço positivo simples, como um deleite qualquer. A única coisa pode fazê-los parar de se comportar como saudáveis chimpanzés curiosos e indisciplinados e fazê-los executar tarefas mundanas e sem nenhum sentido para sua existência é o medo da dor física.

Saiba mais:
Chimpanzees in Entertainment
Conheça Santuário de chimpanzés da Northwest: Eyes on Apes Program
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Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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