Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Porcos transgênicos

Vários experimentos mundo afora estão usando a genética para modificar animais, assim como fizeram com a soja e o milho. Alguns são realmente interessantes, mas não para os porcos!

  jan 20, 2015     09:30
Porcos transgênicos
Animais transgênicos são aqueles cujo genoma foi alterado para incluir genes de outros animais ou outras espécies. Os genes selecionados ou pedaços de DNA são transferidos por métodos da Biologia Molecular. No caso dos porcos eles vem recebendo os apelidos de eco-porcos ou bio-porcos, dependendo do caso.

O primeiro porco geneticamente modificado do mundo, nasceu no Instituto Roslin, no Reino Unido, o mesmo da ovelha Dolly. Ele é chamado de "26" e é resistente à febre suína africana que causa danos à criação suína. A técnica utilizada não envolve clonagem, mas somente um em cada ninhada de dez porcos, ganha a mutação correta, que poderá ser transferida aos seus descendentes tornando-os imune à doença. Assim, se torna possível eliminar uma doença suína sem alimentar esses animais com antibióticos, uma prática comum na suinocultura.

Elisabeth Weiss, imunologista da Universidade Ludwig Maximilians, de Munique vem junto a uma equipe conduzindo pesquisas que utilizariam porcos transgênicos para beneficiar seres humanos em transplantes de órgãos.

O tecido do porco modificado geneticamente através da troca de moléculas da superfície de suas células é substituída por outra de origem humana. Este tecido provocaria assim uma reação comparativamente menor no sistema imunológico humano possibilitando futuramente um transplante de órgãos de suínos para pessoas. Os porcos foram escolhidos para esse experimento porque sua alimentação como a nossa abrange de tudo e seus órgãos têm dimensões bem próximas dos nossos.

No trabalho de Rozh Al-Mashhadi e outros pesquisadores da Univesidade de Aarhus, na Dinamarca, os porcos recebem uma forma modificada do gene PCSK9 e independentemente da dieta seguida, desenvolviam hipercolesterolemia familiar, uma doença genética que predispõe as pessoas a terem altos níveis de colesterol, ou seja o gene modificado impedia especialmente o LDL, também chamado de colesterol ruim, de sair da corrente sanguínea, causando aterosclerose. O pesquisa busca desenvolver novas terapias para hipercolesterolemia, aterosclerose e outras cardíacas, além de técnicas para a visualização da aterosclerose dentro do organismo.

Desenvolvido na Universidade de Guelph, em Ontário - Canadá, pela equipe do microbiologista e professor Cecil Forsberg o Enviropig, é um porco modificado com genes de bactérias e de ratos, que já teve liberação para sua criação, mas não para o consumo de sua carne. O fósforo contido no milho e na soja não é bem absorvido pelos porcos, então alimentando-se somente de cereais, os porcos não obtêm fósforo suficiente, sendo necessário sua administração suplementar. Já o porco modificado consegue digerir e absorver mais o fósforo desses cerais, o que favorece sua criação economicamente e ambientalmente, pois o fósforo não digerido pelos porcos comuns é expelido numa quantidade muito maior através de seus excrementos desregulando crescimento de algas e bactérias na água e consequentemente aumentam a poluição dos recursos hídricos, principalmente em locais que se concentram a suinocultura.




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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