Marcelo Sader

Tecnologia Aplicada

Órgãos em chips e a evolução dos testes "in vitro"

Simulações de interações moleculares em computador e novas tecnologias para ensaios in vitro poderão reduzir o número de testes em animais

  abr 23, 2015     08:45
Para os especialistas participantes do Workshop Challenges and perspectives in research on alternatives to animal testing, realizado na FAPESP no dia 31 de março, os esforços no sentido da redução do uso de cobaias estão mostrando resultados promissores e apontam para um futuro livre de testes in vivo.

Acredito sim que, haverá um tempo em que a comunidade científica não usará animais vivos em testes, mas na minha opinião, serão necessárias décadas de pesquisas.

Segundo Eduardo Pagani, do Laboratório Nacional de Biociência, existem duas alternativas ao uso de animais: Testes em computador e testes in vitro. "Nos testes computacionais, o que se faz é acessar bases de dados de drogas já testadas e buscar semelhanças com as drogas novas, efeitos semelhantes de toxicidade e absorção farmacocinética ou até mesmo eficácia para determinadas indicações. Trata-se de predições teóricas feitas por comparações da molécula nova com outras já testadas", disse Pagani.

A evolução dos testes em computador está relacionada não só à quantidade de dados que os cientistas armazenam, mas como estes dados são disponibilizados para toda a sociedade. Outro fator importante é a evolução da capacidade de processamento destes dados pelos dos computadores.

A grande promessa para um novo estágio no processamento de dados é o computador quântico. Em outro artigo divulgado pela Agência Fapesp, Felipe Fanchini (do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista, em Bauru), afirma que, a julgar pelos êxitos obtidos em 2014, talvez tenhamos o computador quântico em uma década. Não falaremos mas de bits e bytes, e sim de qubit, ou "unidade de informação quântica".

Para Chantra Eskes, da European Society of Toxicol in vitro, a humanidade caminha para dispensar o uso de animais em testes de laboratório especialmente por conta da evolução dos testes in vitro.

"A humanidade vive uma grande revolução científica com a possibilidade de retornar células ao seu estado inicial e, a partir delas, produzir tecidos e órgãos para aplicar testes com substâncias tóxicas nas células do próprio paciente. Com o conhecimento crescente do genoma, do transcriptoma e do proteoma humanos, o caminho para a substituição dos testes in vivo por ensaios in vitro mais avançados está traçado", disse Eskes.

Para saber mais, acesse:
Testes em animais são reduzidos com novos ensaios in vitro e simulações
Pesquisa analisa interação de sistemas quânticos com o meio




Autor

Marcelo Sader

Médico veterinário com especialização em análise de sistemas. Foi um dos precursores no desenvolvimento de sistemas para veterinários. Atualmente escreve para o NetVet News e trabalha em aplicativos e aplicações web para o mercado veterinário.

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