Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Orcas e as verdades difíceis que a sociedade não quer enxergar

É hora de convertermos em ação política a transformação que necessitamos. Mais do que o efeito Blackfish, precisamos agir através das urnas.

  mar 17, 2015     22:02
As orcas são animais que podem ser encontrados em todos os oceanos do mundo e possuem uma expectativa de vida próxima a dos humanos. Têm natureza coesa em seus grupos sociais, comunicação vocal elaborada e estratégias cooperativas de caça.

A Orcinus orca, da Família Delphinidae é o maior dos golfinhos. Seu nome não se origina da ideia dela ser violenta, mas do fato de que ela caça baleias além de peixes, pinguins e focas. Em seu habitat natural os machos vivem em média cerca de 30 anos e podem chegar a 60, as fêmeas normalmente vivem cerca de 50 anos, mas podem chegar a 90. Em cativeiro a média geral é de 25 anos de sobrevivência.

Os animais vivem em grupos ou aglomerados familiares. Esses grupos podem ser formados por um único casal até, temporariamente grupos de mais de 200 indivíduos, mas geralmente ficam ao redor de 15 animais. Aproximadamente 45 indivíduos são mantidos ainda em cativeiro em todo o mundo, 22 no SeaWorld, nos EUA, de acordo com a organização Whale and Dolphin Conservation.

Baseado no documentário "Blackfish", que mostra cenas fortes de violência contra orcas em parques aquáticos pelo mundo e em especial na Califórnia, o Deputado Democrata Richard Bloom propôs na Assembleia Legislativa da Califórnia (EUA) um projeto de lei (PL) que bane o uso de orcas no estado para fins comerciais.

O PL que é chamado de "Orca Welfare and Safety Act" (Bem-estar e Segurança das orcas) propõe o total banimento do uso das orcas para entretenimento, mas libera a utilização dos animais para fins científicos. Esse Projeto também proíbe a inseminação artificial das orcas em parques aquáticos. Caso o PL seja aprovado, o parque "SeaWorld" terá que reabilitar e reintegrar suas orcas a vida selvagem.

Os opositores ao cativeiro citam que as orcas apresentam de problemas físicos à psicológicos como comportamentos repetitivos, problemas dentários além dos ataques aos treinadores. Porém, acreditam que para sua própria segurança, os animais não poderiam simplesmente ser soltos na natureza.

Acreditam que a saída é a criação de ambientes maiores, mais naturais, como "currais" em áreas costeiras do oceano, o fim da sua reprodução em cativeiro e que seja interrompido o programa de adestramento desses animais.

A cientista marinha Naomi Rose do Animal Welfare Institute, que deu consultoria no filme "Blackfish", acredita que o parque pode mudar a forma como lida com os animais em cativeiro. Ela acredita ser viável a criação de santuários para orcas.

Rose reconhece que grande parte das pesquisas científicas já realizadas foi iniciada em estudos desenvolvidos em parques marinhos. "A história conta que a nossa ciência foi construída sobre as costas das pessoas que começaram carreira na indústria da exposição pública", disse ela. "É uma questão com a qual a nossa comunidade não gosta de lidar", acrescenta. Para Rose existem algumas "verdades difíceis", que a comunidade científica precisa encarar.

Saiba mais:
Marine mammals: protection of orcas: unlawful activities

The Truth about the Orca Welfare and Safety Act




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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