Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Orcas, assassinas ou vítimas?

Sua beleza, força e inteligência, as levaram a serem aprisionadas, drogadas e escravizadas em parques aquáticos desde a década de 60.

  mar 17, 2015     22:20
Tilikum é uma orca macho de aproximadamente duas toneladas. Capturado na Islândia no fim da década de 80, o animal tem se apresentado no Seaworld Flórida desde 1992 e esteve ligado à morte de três pessoas.

O último incidente ocorreu em 2010 e ganhou grande repercussão, pois a morte da treinadora Dawn Bracheau, que possuía mais de 20 anos de experiência e se considerava amiga do animal, foi diante da plateia de espectadores do SeaWorld.

Ela foi puxada pelo cabelo e levada para o fundo do tanque, sendo morta pela orca. Acredita-se que as ações de Tilikum foram deliberadas e que seu comportamento resultou do dano psicológico do cativeiro.

Posteriormente, alguns ex-treinadores expuseram suas versões e críticas. O que trouxe uma versão diferente ao pronunciamento oficial do parque, que responsabilizou a treinadora em parte pelo ocorrido, mas também diz que a morte foi acidental.

Desde o início decidiu-se que a captura, transporte e treinamento de orcas seria mais fácil com o uso de indivíduos jovens, preferencialmente indivíduos recém-nascidos. As orcas adultas e seus filhotes, sofriam a perda dos seus familiares e demonstravam, se comunicando através de sons semelhantes a um choro de lamento.

Após serem capturados, os filhotes eram misturados e espalhados para diversos aquários nos EUA. Isto por si só já é um problema, pois as orcas vivem em grupos familiares coesos e quando são de grupos sociais diferentes podem exibir comportamento violento ou muitas vezes isolando alguns indivíduos. Os comportamentos dos diferentes grupos são tão diversos que alguns cientistas falam até na existência de diferentes culturas.

O animal envolvido na morte de Dawn Bracheau, a orca Tilikum, era um destes excluídos. Ele sempre apresentou comportamento problemático, como demonstra os relatórios dos treinadores. Mesmo assim, esse macho continuou vivendo sob condições estressantes e ainda foi escolhido como matriz reprodutiva. Por ser um dos maiores animais do SeaWorld, seus filhotes são exportados para outros aquários pelo mundo.

Em decorrência do incidente, com de Dawn Brancheau, foram lançados o documentário "Blackfish" e o livro "Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity Hardcover", 2012 - por David Kirby.

Em ambos, as ações de Tilikum foram descritas como resultado do dano psicológico provocado pelo cativeiro, não apenas no SeaWorld, mas também no local onde a baleia foi mantida inicialmente. Para o SeaWorld, a morte foi um acidente, não um assassinato deliberado. Porém, o animal protagonista, chamado Tilikum, já havia se envolvido em duas mortes anteriores, a diferença é que essa ocorreu perante os expectadores.

O documentário denuncia a forma como as orcas são tratadas e usadas em espetáculos e mostrando os reais perigos de se manter animais como estes em cativeiro. Os treinadores admitem que não há como criar laços com os animais. Eles fazem os truques pela apenas pela recompensa.

Segundo o documentário, outro acidente fatal ocorrido nas Ilhas Canárias, território da Espanha, foi com filhotes que haviam sido comprados do SeaWorld. Novamente o treinador foi acusado de ter errado e causado o acidente.

O SeaWorld realiza trabalhos de conservação, resgate e pesquisa com orcas e declara que isto tem ajudado a melhorar a conservação da espécie selvagem. Afirmam que o SeaWorld tem desenvolvido pesquisas sobre a cognição, o comportamento e a fisiologia das orcas e outros cetáceos e tais estudos não poderiam ser feitos sem animais em cativeiro. Acreditam que o conhecimento e a oportunidade do público ver os animais em ação pode ajudar a educar o público e apoiar a causa da preservação.

Mas antes de mais nada o SeaWorld é um negócio que visa o lucro e sem dúvida, ele é muito rentável. Em pouco mais de 50 anos de existência, tem um público anual de 12 milhões de visitantes e um faturamento de R$ 4,5 bilhões. A SeaWorld tem ainda seus títulos na bolsa de valores para arrecadar mais investimentos e fortalecer a marca.

Saiba mais:
SeaWorld é condenado pela morte de treinadora de orcas




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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