Marcelo Silva Sader

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Novas perspectivas na reprodução assistida de grandes felinos

Pesquisadores avaliam um novo protocolo para coleta de sêmen em onça-pintada e onça-parda

  ago 20, 2015     23:15
Novas perspectivas na reprodução assistida de grandes felinos
Técnicas de reprodução assistida vêm sendo amplamente estudadas como ferramenta na conservação de espécies ameaçadas de extinção. No Brasil, vários pesquisadores têm concentrado seus esforços na preservação do maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca).

A tese de doutorado de Gediendson Ribeiro de Araujo, orientado pelo Prof. Tarcizio Antônio Rego de Paula, tem como objetivo avaliar os resultados de um novo protocolo para coleta de sêmen em onça-pintada (Panthera onca) e onça-parda (Puma oncolor).

O projeto é uma parceria entre a Universidade Federal de Viçosa e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Diferentemente do protocolo tradicional, que utiliza a contenção química com a associação tiletamina-zolazepam e eletroejaculação, Gediendson utiliza a medetomidina e a massagem prostática como base para a coleta.

A NetVet acompanhou uma das coletas, efetuada na sede da Associação Mata Ciliar, realizada em julho de 2015. O procedimento foi documentado também por uma produtora responsável pela criação de documentários para um importante canal de TV por assinatura.

A metodologia permitiu a coleta de ejaculados mais concentrados. Com a eletroejaculação conseguimos 6 a 35 x 106 espermatozoides por mL, e 224 a 5.115 x 106 espermatozoides por mL na metodologia que estamos propondo. Apesar da maior concentração, a qualidade espermática não difere entre os métodos
Gediendson Ribeiro de Araujo
Nos últimos meses, a mídia em geral tem dado bastante importância ao caso da morte do Leão Cecil. Na internet, encontramos um grande número de pessoas manifestando-se a favor da caça esportiva, no sentido contrário aos princípios de preservação ambiental. Neste contexto, é de fundamental importância mostrarmos o caminho da ciência moderna, comprometida com a manutenção da biodiversidade, e valorizar o trabalho dos pesquisadores, professores e instituições envolvidas neste processo.

Ao comparar os dois protocolos, os pesquisadores consideram que a eletroejaculação, em animais de vida livre, impõe dificuldades e obstáculos que podem ser superados com a adoção de um novo procedimento.

Para que seja possível utilizar o eletroejaculador com segurança, a anestesia deve ser aprofundada, obrigando os pesquisadores a aumentar o tempo de acompanhamento do animal após a realização da coleta.

O sêmen conseguido com a eletroejaculação é mais diluído, devendo ser centrifugado no local de coleta, tornando-se necessário o uso de mais um equipamento, a centrífuga. Deve-se ter uma preocupação adicional com e adequação de energia elétrica disponível.

O novo protocolo utiliza a medetomidina como anestésico e não faz uso do estímulo elétrico. Em contrapartida, uma sonda é introduzida na uretra e o sêmen é sugado por uma seringa ao mesmo tempo em que a próstata do animal é massageada. Como resultado, o sêmen é muito mais concentrado, facilitando o trabalho de congelamento. Imediatamente após a coleta, a anestesia é revertida usando-se o Atipamazole.

Em 2012, pesquisadores da Alemanha e da África do Sul, em trabalho publicado na revista Theriogenology (Theriogenology, Vol. 78, Issue 3, p 696-701), descreveram esta metodologia aplicada na coleta de sêmen em leões africanos (Phantera leo), obtendo resultados igualmente animadores.




Autor

Marcelo Silva Sader

Médico veterinário com especialização em análise de sistemas. Foi um dos precursores no desenvolvimento de sistemas para veterinários. Atualmente escreve para o NetVet News e trabalha em aplicativos e aplicações web para o mercado veterinário.

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