Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Mecanismo bioquímico explica por que somos loucos por cães

Troca de olhares entre humanos e cães libera ocitocina da mesma forma que ocorre quando a mãe e seu bebê se olham

  abr 17, 2015     22:29
Mecanismo bioquímico explica por que somos loucos por cães
Cães não usam o contato visual como forma de comunicação com outros cães, porém, segundo os pesquisadores Miho Nagasawa e Takefumi Kikusui, da Universidade Azabu, no Japão, o cão desenvolveu essa forma de comunicação não verbal com o ser humano e desta forma estabeleceu definitivamente essa ligação tão próxima.

Kikusui explica em seu estudo que, os humanos são muito sensíveis ao contato com o olhar, portanto, os cães que conseguem se comunicar eficientemente com o olhar, podem obter mais benefícios dos seres humanos.

Segundo o estudo, os cães ao fazerem as chamadas "carinhas de coitado" para seus tutores, liberam uma grande quantidade do hormônio ocitocina, ou "hormônio do amor". Fazendo que o mesmo ocorra ao humano e ocasionando um feedback positivo idêntico ao que ocorre com uma mãe que olha para seu bebê recém-nascido.

Nos humanos, a ocitocina entre outras coisas, desencadeia o trabalho de parto, reduz o estresse e auxiliam a lactação e o vínculo entre mãe e bebê. Durante a amamentação, mães e bebês têm um pico de ocitocina e ao passarem tantas horas se olhando, estimulam ainda mais a liberação de ocitocina um do outro.

No estudo também verificou-se que o contato entre roedores filhotes e suas mães gera liberação de ocitocina. Porém, quando analisaram o contato entre lobos e humanos, os pesquisadores não tiveram a mesma interação percebida com os caninos, mesmo quando os humanos que estivessem interagindo com esses lobos, os tivessem criado desde filhotes.

Já a comunicação entre dois ou mais cães ou lobos domesticados, o contato através do olhar não serve para demonstração de afeto ou interação, ao contrário o olhar fixo em outro olhar só é dado como desafio ou intimidação, segundo Evan MacLean e Brian Hare, antropólogos evolucionários especialistas em comportamento animal na Universidade de Duke (EUA) que analisou a pesquisa de Nagasawa e Kikusui.

Por exemplo, quando os filhotes de roedores são separados de suas mães, eles emitem uma série de ruídos ultrassônicos que estimulam as fêmeas a liberar mais ocitocina, acolher seus filhotes e se comportar de uma maneira mais carinhosa. Isto, por sua vez, leva à liberação de mais ocitocina e, como resultado, aumenta o comportamento de apego em filhotes.

Segundo MacLean e Hare, essas descobertas ajudam a explicar como um lobo predatório e temível evoluiu para "o melhor amigo do homem". Segundo a hipótese, os humanos começaram a selecionar os primeiros "cães domésticos" baseando-se em sua docilidade, e também as características físicas ligadas a traços mais infantis, como olhos grandes por exemplo. Até termos atualmente um cão que estimula nos humanos, sentimentos semelhantes aos infantis, mesmo quando já são adultos.

Saiba mais:
Oxytocin-gaze positive loop and the coevolution of human-dog bonds




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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