Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Declaração de Cambridge

Os humanos não são os únicos animais com estruturas neurológicas que geram consciência e isso quer dizer que os animais sofrem

  abr 26, 2015     00:11
Declaração de Cambridge
Esse manifesto publicado em julho de 2012 durante a Conferência sobre consciência em animais, humanos e não humanos em memória a Francis Crick afirma que há evidências científicas suficientes para se considerar que mamíferos, aves e até certos invertebrados, como o polvo, têm consciência.

O neurocientista canadense Philip Low, pesquisador da Universidade Stanford e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ambos nos Estados Unidos, foi quem redigiu e publicou a declaração, além de patrocinar a conferência onde a mesma foi apresentada.

"Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos".
Philip Low
Ele explicou nessa conferência, que além dele, outros 25 pesquisadores também neurocientistas, admitem que estruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais. Além disso, concluíram que as áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são as que produzem a manifestação da consciência.

Ainda, segundo Low, não se pode estabelecer uma similaridade entre a consciência de mamíferos, pássaros e a dos seres humanos. Mas sabe-se que há diferentes tipos de consciência e que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.

Um comportamento muito importante é o de auto reconhecer-se no espelho. Além dos seres humanos, os chimpanzés, os bonobos, os cães, os golfinhos e até mesmo uma espécie de pássaro chamada pica-pica, consegue realizá-lo.

Segundo o neurocientista David B. Edelman, do Instituto de Neurociências, de San Diego (EUA) e um dos signatários da declaração, conhecido por seu trabalho sobre o sistema visual do polvo, "a consciência consiste na capacidade de perceber um cenário integrado e de mantê-lo em sua memória".

Há no entanto, segundo Edelman, uma distinção entre essa forma basal de consciência e uma mais avançada, que seria a consciência de si mesmo, ou a capacidade de se imaginar naquela cena, no passado ou futuro. Alguns primatas em certas circunstâncias, também possuem consciência de si. Para Edelman, não se deve limitar o conceito de consciência a essa segunda forma.

A neurocientista norte-americana Irene Pepperberg, realizou um trabalho extenso com um papagaio-cinzento, chamado de Alex, que segundo ela, exibia sinais de que de fato tinha consciência de si e de forma avançada.

Em relação ao direito dos animais, Low acredita que a sociedade terá dados para discutir, decidir e formular novas leis, além de desenvolver através de pesquisas, melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais, pois acredita que temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela sirva nossos ideais, lugar de competir com eles.

Conheça a Declaração de Cambridge:
The Cambridge Declaration on Consciousness




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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