Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Casal de ararinhas-azuis chega ao Brasil para ajudar a combater a extinção da espécie

Considerada extinta na natureza desde 2000, vítima do tráfico de animais, a ararinha-azul desapareceu do seu habitat, a Caatinga brasileira

  mar 04, 2015     18:47
Como parte das comemorações do Dia Mundial da Vida Selvagem, chegaram ao Brasil, um casal de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) nascido na Alemanha. A transferência das ararinhas-azuis é resultado da parceria entre o ICMBio e a Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza (BfN).

Ao chegar no aeroporto, aves foram transferidas para caixas de biossegurança e transportadas para a estação de quarentena do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na cidade de Cananéia (SP), onde devem permanecer por cerca de 15 dias.

Depois o casal de irmãos, as ararinhas-azuis Carla e Tiago, serão encaminhadas para o criadouro científico Nest, onde se juntarão às outras 11 ararinhas-azuis mantidas no Brasil. No Nest, Carla e Tiago passarão por avaliações genéticas que devem apontar os melhores parceiros para cruzamentos, para cada ave. Um grande desafio para a reprodução em cativeiro é a pouca variabilidade genética das ararinhas-azuis, ocasionada pela pequena população da espécie, pois existem apenas 90 aves, em todo o mundo.

Numa iniciativa de reintroduzir a espécie vários mantenedores como a Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha; a Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar; o criadouro Nest e a Fundação Lymington, no Brasil, trabalham para viabilizar a reprodução da ararinha-azul que já foi símbolo da extinção anos atrás. A estratégia é reproduzir os 90 indivíduos da ararinha-azul em cativeiro e possibilitar sua reintrodução na natureza até 2021. A reprodução dos animais é feita de forma articulada entre os criadouros parceiros. As aves são encaradas como uma população única e as permutas de indivíduos entre as instituições têm o objetivo de garantir o maior número possível de filhotes e o aumento da diversidade genética da espécie.

O Projeto Ararinha na Natureza faz parte da implementação do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul e é coordenado pelo Cemave/ICMBio que conta com parcerias de ONGs, do Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), da SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil) e da Vale.

A chegada das ararinhas-azuis neste dia é um símbolo da cooperação entre os países para a preservação dessas espécies e uma reafirmação do compromisso dos países que assinaram a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES) e de acordo com os objetivos da celebração do Dia Mundial da Vida Selvagem.

Leia: Ararinhas-azuis nascidas na Alemanha chegam ao Brasil




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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