Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

Brasil e Portugal financiam com dinheiro público filme onde animais são tratados de forma degradante

Com incentivo financeiro do governo brasileiro e português, Cacá Diegues dirige produção cinematográfica em Lisboa, em circo que não obedece as leis portuguesas

  mar 19, 2015     20:06
Brasil e Portugal financiam com dinheiro público filme onde animais são tratados de forma degradante
Com previsão de estreia para março de 2015, o filme intitulado, O Grande Circo Místico, de Carlos Diegues, baseado no poema A Túnica Inconsútil (escrito em 1938), de Jorge de Lima. Deveria mostrar os amores e desamores relacionados ao Grande Circo Knie, numa saga de cinco gerações da família austríaca proprietária do circo. A história é contada por Celavi, um escravo liberto, que é o mestre de cerimônias do circo, desde os 17 até os 117 anos.

O filme está sendo rodado em Lisboa, no chamado Circo Victor Hugo Cardinali, que é conhecido pelo abuso e morte de animais em Portugal. E pelo que parece, o proprietário tem o respaldo das autoridades e do público para desrespeitar a Lei do país e dessa forma, continuar a reproduzir seus animais perpetuando a escravização.

Cardinali, que é o proprietário do circo que serve de cenário para o filme, já foi flagrado e filmado espancando seus elefantes no meio de um espetáculo."Eu bati no elefante porque ele não queria fazer o exercício, e isso não nego. Não podemos deixar que um animal faça aquilo que quer, ou então não há respeito, e o domador não está ali a fazer nada", explicou o domador após ter suas imagens divulgadas.

Em Portugal, não há uma legislação específica que coíba maus-tratos a animais exóticos ou silvestres. Porém, há a portaria n.º 1226 de 12/10/2009, que proíbe os circos de deterem animais selvagens, exceto aqueles registrados no prazo de até 90 dias da publicação da mesma. Não sendo permitida a aquisição de novos exemplares nem a reprodução daqueles que possuam no momento do registo.

A legislação portuguesa portanto, não só é ineficaz porque permite que os circos continuem a apresentar animais, inclusive os nascidos após a entrada em vigor da referida portaria, mas também, como se verifica neste caso, atrai pessoas que lucram com a exploração desses animais impunemente e não o podem fazer nos seus países de origem.

A Câmara de Lisboa, cita que o filme brasileiro recebeu um apoio financeiro do governo português no valor de 110.521,66 € e isenção de 9.957,41 €, para o orçamento total de 4.500.000,00 €. Posteriormente, o Instituto do Cinema e do Audiovisual de Portugal adicionou outros 200.000 € de apoio no âmbito do programa "Coproduções Minoritárias".

No Brasil consta que o custo da produção seria de R$ 13.000.000,00 e há um financiamento por incentivos fiscais federais, pois o filme também foi produzido com recursos ofertados pela LEI Nº 8685/1993 ou Lei Brasileira do Audiovisual.

Por sua vez, Cacá Diegues declarou "É mais ou menos como se estivéssemos fazendo um filme sobre o nazismo e a crueldade dos campos de concentração na primeira metade do século XX: não poderíamos deixar de mostrar as vítimas daquela brutalidade, privadas de liberdade, mal tratadas e humilhadas por seus algozes".

Porém, o cineasta esqueceu-se de dizer que em sua filmagem, será como se ele usasse forçosamente os presos de um campo de concentração para atuar e ao finalizar seu longa-metragem, os presos já pudessem ser levados à câmara de gás.

Outra surpreendente declaração do cineasta para não deixar dúvidas, quanto à natureza de seu caráter. "Sempre desconfiei da piedade escandalizada em relação aos animais de um circo. Eles têm casa, comida e roupa lavada, não precisam sair pela floresta correndo perigo e provocando a extinção dos outros, em busca de alimento. E, se por caso não se sentem satisfeitos, podem facilmente acabar com o domador e seus frágeis parceiros de espetáculo. A sobrevida dos circenses é a celebração dos animais."

Só nos resta pressionar para que seja apreciada com brevidade a PL 7291/2006, que dispõe sobre o registro dos circos perante o Poder Público Federal e o emprego de animais da fauna silvestre brasileira e exótica na atividade circense. E finalmente combater toda e qualquer atividade de pessoas que apoiem a apologia ao utilitarismo de animais de forma degradante e humilhante, assim como boicotar ativamente o filme O Grande Circo Místico e toda a equipe envolvida.

Assine a petição brasileira contra o uso de animais no filme "O Grande Circo Místico".


Veja mais:

Vídeo em que Victor Hugo Cardinali aparece agredindo um elefante durante uma apresentação.

Discussão sobre a participação de animais em apresentações de circos

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Obs.: Funchal se tornou a primeira cidade portuguesa a proibir animais em espetáculos, graças a recomendação feita pelo PAN (Pessoas Animais Natureza - partido político de inspiração ambientalista e fortemente voltado para a defesa dos direitos animais).




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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