Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

As tartarugas-marinhas e as mudanças nos campos magnéticos

Como as tartarugas-marinhas depois de migrar por milhares de quilômetros mar adentro conseguem localizar o mesmo trecho do litoral onde foram chocadas e no momento da reprodução retornar, para também depositar seus ovos?

  fev 17, 2015     22:42
As tartarugas-marinhas e as mudanças nos campos magnéticos
Um estudo publicado na revista Current Biology, pela equipe coordenada pelo biólogo J. Roger Brothers, da Universidade da Carolina do Norte, analisou registros realizados durante 19 anos nos locais de desova de tartarugas-marinhas na costa da Flórida, o maior viveiro destes animais na América do Norte.

Acredita-se que as tartarugas-marinhas voltem porque usam a lógica de estar formando um ninho num lugar favorável para o desenvolvimento do ovo e que já foi testado por elas mesmas.

A partir do descobrimento de que elas usam o campo magnético do planeta como guia para encontrar o mar quando estão em terra, passou-se a analisar o banco de dados de nidificações das tartarugas-marinhas ao longo da costa leste da Flórida.
Com essa análise verificou-se então, que havia uma associação entre a distribuição espacial de ninhos de tartarugas-marinhas e as sutis mudanças no campo magnético da Terra.

Ainda não se conhece o mecanismo pelo qual as tartarugas-marinhas detectam o campo magnético, mas sabe-se que cada parte da costa tem sua própria "assinatura magnética" e as tartarugas-marinhas são capazes reconhece-las e usá-las para levá-las de volta para o local em que nasceram. Porém, durante certos períodos, quando o campo da Terra muda, algumas assinaturas magnéticas convergem e fazem com que as tartarugas-marinhas também reduzam a área por onde elas se deslocam no litoral. Já nos lugares em que esses sinais magnéticos divergem, elas se espalham e depositam os ovos em ninhos mais distantes uns dos outros.

No artigo Disruption of magnetic orientation in hatchling loggerhead sea turtles by pulsed magnetic fields, publicado no periódico Journal of Comparative Physiology A, em maio de 2005, os autores William P. Irwin, Kenneth J. Lohmann, buscaram validar a hipótese de que os os cristais de magnetita biogênica fornecem a base física do mecanismo de detecção magnético nas tartarugas marinhas.

Irwin e Lohmann submeteram um grupo de tartarugas a campos magnéticos pulsantes, capazes de alterar as propriedades magnéticas dos cristais de magnetita biogênica. Os resultados foram considerados consistentes com a hipótese de que, pelo menos parte do sistema de detecção magnético (magnetoreception) da tartaruga marinha é baseado nos cristais de magnetita. Os autores concluíram ainda que, pelo menos em princípio, os cristais podem estar envolvidos na detecção de informação direcional, informação posicional, ou ambos.

Para saber mais acesse;

Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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