Marcelo Silva Sader

Produção Científica

Animais conseguem prever a ocorrência de terremotos

Estudo divulgado pela Agencia Fapesp mostra que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos

  abr 27, 2015     11:11
Animais conseguem prever a ocorrência de terremotos
O dado já era conhecido, entretanto, tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Em 2004, a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami foi amplamente divulgada pela imprensa.

Recentemente publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth, o artigo "Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes", descreve a correlação entre o comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre. Estes fenômenos foram verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011.

Já publiquei aqui, outros artigos evidenciando habilidades de animais que permitiriam utilizá-los para ajudar a salvar vidas humanas. Um destes exemplos é a capacidade de cães em detectar determinados tipos de câncer em pessoas, até mesmo nos estágios iniciais e muito antes que o mais preciso dos métodos já criados.

Mas os cientistas muitas vezes são relutantes em utilizar os animais. Eles preferem descobrir como eles fazem e criar uma máquina capaz de fazer o mesmo.

A própria Agência Fapesp já divulgou trabalho realizado no Instituto de Química da USP, onde o pesquisador criou um "nariz eletrônico", capaz de identificar a presença de fungos em amostras de laranjas.

No caso dos terremotos, os pesquisadores correlacionaram dois fenômenos: alterações no comportamento dos animais e perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Eles acreditam que ambas as anomalias surgiram a partir de uma única causa: a atividade sísmica causando estresse na crosta terrestre e levando, entre outras coisas, à enorme ionização na interface solo-ar.

É sabido que a maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca, seja em animais, seja em humanos, um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea. Isso leva à chamada "síndrome da serotonina", caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão.
José Tadeu Arantes - Agência Fapesp
Uma conclusão importante deste estudo é que a previsão de terremotos poderia ser feita também, mediante a detecção da ionização do ar, com o monitoramento do campo elétrico atmosférico.

Para aqueles que tem a oportunidade e possuem a habilidade de observar animais no seu habitat natural, prever um evento desta natureza talvez seja muito mais fácil.

Para saber mais acesse:
Alteração comportamental de animais sinaliza, dias antes, a ocorrência de terremotos;
Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes




Autor

Marcelo Silva Sader

Médico veterinário com especialização em análise de sistemas. Foi um dos precursores no desenvolvimento de sistemas para veterinários. Atualmente escreve para o NetVet News e trabalha em aplicativos e aplicações web para o mercado veterinário.

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