Marcelo Sader

Produção Científica

Amostras de ração para cães são analisadas na Itália

Estudo recente publicado na Animal Feed Science and Technology reforça a necessidade de maior controle sobre os níveis de micotoxinas na ração de cães

  fev 28, 2015     17:50

A mídia americana esta divulgando, até mesmo com certo alarde, o processo movido por Frank Lucido contra a marca de rações da Nestlé Purina, afirmando que seus cães ficaram gravemente doentes após serem alimentados exclusivamente com a ração Beneful.

O fato traz a tona a questão da contaminação de ração para pequenos animais por micotoxinas. Os autores do trabalho publicado na revista Animal Feed Science and Technology, em fevereiro de 2015, consideram que as micotoxinas mais importantes são: eoxynivalenol, fumonisina B1 e B2, a aflatoxina B1, B2, G1 e G2, ocratoxina A e zearalenona.

Neste estudo foram analisadas 48 amostras de alimento seco para cães disponível no mercado italiano (24 amostras de linhas econômica e 24 de linhas consideradas premium). Embora as concentrações das micotoxinas em todas as amostras mostraram níveis compatíveis com a legislação europeia, as análises revelaram uma presença substancial de desoxinivalenol, fumonisinas e ocratoxina A, com valores acima do que é considerado seguro.

Interessante notar que houve diferença significativa entre alimentos normais e aqueles considerados premium. A concentração de fumonisinas e de ocratoxina A foi consideravelmente maior em alimentos normais.

Além disso, a presença simultânea de diferentes micotoxinas em concentrações mais elevadas do que o limite considerado seguro, foi observada na maioria dos alimentos analisados. Particularmente, 19% das amostras estavam contaminadas por, pelo menos dois diferentes tipos de micotoxinas, 52% em três, quatro por 25% e 2% em todas as micotoxinas avaliadas.

Os autores do estudo concluíram que é necessário aprofundar a investigação sobre o potencial risco decorrente da exposição crônica a baixas doses de diferentes tipos de micotoxinas.

O problema que ocorre no mercado americano e europeu não é muito diferente do nosso. Na maioria dos casos, as contaminações por micotoxinas estão relacionados a problemas com os ingredientes utilizados na ração, o processo de fabricação, e principalmente o controle sobre produtos armazenados.

Narizes Eletrônicos

Pesquisadores do Instituto de Química da USP desenvolveram uma tecnologia que poderá ser bastante útil no controle de qualidade de produtos destinados não só à alimentação animal, mas também para humanos: Narizes Eletrônicos.

A tecnologia já permite identificar a presença do fungo Penicillium digitatum em amostras de laranjas. A Fapesp divulgou um vídeo onde o pesquisador Jorge Gruber apresenta mais detalhes da tecnologia desenvolvida por ele e sua equipe.

Para saber mais

Animal Feed Science and Technology
Occurrence of mycotoxins in extruded commercial dog food
Department of Veterinary Medical Sciences, Alma Mater Studiorum, University of Bologna, via Tolara di Sopra 50, 40064 Ozzano dell'Emilia, Italy
Published Online: February 20, 2015




Autor

Marcelo Sader

Médico veterinário com especialização em análise de sistemas. Foi um dos precursores no desenvolvimento de sistemas para veterinários. Atualmente escreve para o NetVet News e trabalha em aplicativos e aplicações web para o mercado veterinário.

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