Regina Ripamonti

Atualidades e Meio Ambiente

A verdadeira face do SeaWorld

Será que um animal inteligente e que chama atenção pela organização social complexa deve mesmo ficar à mercê de drogas diariamente para satisfazer os seres humanos?

  mar 17, 2015     11:51
Segundo o depoimento do ex-treinador John Hargrove do SeaWorld San Diego e SeaWorld San Antonio, por aproximadamente 14 anos, os animais recebiam diversos tipos de drogas diariamente para combater o estresse crônico. Ele recentemente publicou o livro "Beneath the Surface: Killer Whales, SeaWorld, and the Truth Beyond Blackfish Hardcover" contando suas experiências.

Outros treinadores como Samantha Berg, John Jett (SeaWorld Orlando, por 4 anos na década de 90), Carol Ray (Orlando entre 1987 e 1990) e Jeffrey Ventre, também vem divulgando informações sobre as medicações que eram utilizadas nos animais nos três parques da empresa.

Os medicamentos administrados rotineiramente iam desde antipsicóticos, para diminuir a testosterona; benzodiazepínicos como o Diazepam, para acalmar; o antiácido Cimetidina, que era administrado com o objetivo de tratar úlceras.

Úlceras são comuns em animais marinhos mantidos aprisionados e geralmente estão relacionadas ao estresse e a problemas ambientais. O livro "Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity Hardcover", do jornalista David Kirby aborda o uso da Cimetidina no parque marinho.

Era costumeiro também o uso de antibióticos", como a Clindamicina, na prevenção de infecções, principalmente por ferimentos ocasionados ao machucar os dentes das orcas nas superfícies de concreto e em outros ferimentos causados por outras orcas do mesmo tanque. Em consequência desse uso, os cetáceos ficavam mais vulneráveis a infecções causadas por fungos. Portanto, os tratadores injetavam o antifúngico Nistatina nos peixes que alimentavam os animais.

Além dessas, era usada a substância Altrenogest, que bloqueia o ciclo estral. Essa droga, sequer podia ser administrada pelas funcionárias, pois poderia levar mulheres à esterilidade. Documentos judiciais afirmam ainda que, a empresa medicava uma mãe lactante, com um filhote de apenas 9 dias de vida, violando assim as diretrizes médicas.

Os ex-treinadores ainda afirmam que tinham que nadar com as orcas mesmo que elas estivessem severamente medicadas o que lhes causava preocupações em relação a sua própria segurança. Após a morte da treinadora Dawn Brancheau, diante dos espectadores em 2010, esse procedimento foi proibido. O incidente levou a duas citações por violações de segurança emitidas pela Administração de Segurança e Saúde no Trabalho.

Apesar das denúncias, o Seaworld continua funcionando normalmente, porque obviamente o público continua a prestigiar e financiar o "espetáculo". Curiosamente é possível encontrar a oferta de venda de ingressos ao parque na mesma página em que ocorre a venda do livro que denuncia seus bastidores, dependendo do site em que se busca o livro.

Não perca:
Blackfish é um filme documentário norte-americano, dirigido por Gabriela Cowperthwaite. Estreou mundialmente no Sundance Film Festival em 19 de janeiro de 2013. Duração: 90 minutos; Música composta por: Jeff Beal; Prêmio: Satellite Award de Melhor Documentário.

Livros:
"Beneath the Surface: Killer Whales, SeaWorld, and the Truth Beyond Blackfish Hardcover", 2015 - John Hargrove, Howard; Chua-Eoan - Publisher: Palgrave Macmillan - ISBN-10: 1137280107 / ISBN-13: 978-1137280107

"Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity Hardcover", 2012 -David Kirby - Publisher: St. Martin's Press - ISBN-10: 1250002028 / ISBN-13: 978-1250002020

Saiba mais:
Ex-SeaWorld Trainers: Here's A List Of The Drugs We Fed To Orcas
Ex-SeaWorld Trainer: Drugs Couldn't Stop Destructive Orca Behavior
'I Was Disgusted': How One Trainer Left The SeaWorld Horror Show
SeaWorld Gave Nursing Orca Valium, Against Accepted Vet Guidelines
Blackfish's Jeffrey Ventre: Our Work Against SeaWorld Is Not Nearly Done




Autor

Regina Ripamonti

Formada em Biologia e Pedagogia e com mais de 25 anos de atuação na área de Educação, Regina Ripamonti usará seu espírito investigativo e crítico para trazer assuntos de interesse veterinário e de educação ambiental, na busca de redefinição das relações do ser humano com o meio ambiente e a reafirmação de sua interdependência.

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